Conversa, futebol, cinema, música, viagens, banda desenhada, culinária e as coisas estranhas que acontecem na minha vida.

sábado, setembro 29, 2007

Em Genebra

Cheguei. Venho para ficar cerca de dez meses. À partida, gosto da cidade. Mas ainda não vi muito.

Etiquetas:

sábado, agosto 25, 2007

Polonia

Estas ferias tem sido muito boas. E muito estranhas tambem. Servem para uma pausa para pensar e para quebrar a rotina que se tem apoderado de mim nos ultimos tempos, e sem duvida para me ajudar a ponderar o que tem sido a minha vida ultimamente.
Fui recebido com o maior pequeno-almoco que jamais vi na minha vida (obrigado Elsbeta), viajei com o pior condutor do mundo, (sim, Piotr, realmente nao gosto de ter a minha vida em perigo...), visitei algumas cidades interessantes e bonitas (Gdansk, Torun, Malbork...), estive no sitio onde a Polonia vai para morrer (Mielno), bati o meu record de Norte (Władiławowo - le-se "vuadisuavovo") e estive na mistura de Albufeira com Brighton polaca, Sopot. Aqui, de onde escrevo agora, fui a tanto raio de bar que nem sem como os classificar, mas sem duvida que ha variedade de escolha.
Descobri uma nova comparacao bastante util: "pessimista como um meteorologista polaco". Estao sempre a dizer que vai chover e no final, nao chove nada.
E as meninas? Nossa senhora...
Sem duvida, umas ferias para recordar, para recuperar forcas, para por em perspectiva em algumas das coisas erradas (ou certas) que tem existido nos ultimos tempos. E sim, para descansar. Bati o meu record de acordar tarde. 18h00. Ines, que isto nao sirva de exemplo.
Mais informacao posteriormente. E fotos, se tudo correr bem.

Etiquetas:

quarta-feira, outubro 18, 2006

Eu vs. Metro de Madrid - round 47

Parece que o metro de Madrid (tal como muitas outras coisas aqui na capital de Espanha) nao foi feito para funcionar com chuva. O pessoal anda a chorar que nao tem água (e de facto creio que em poucos anos aqui começarao a ser sentidos pela primeira vez em muito tempo na Europa ocidental os efeitos das alteraçoes climáticas), mas quando há, as coisas nao funcionam bem. Basta ver a renovada linha 3 (a que serve a minha casa), acabadinha de re-inaugurar (foi no dia 30 de Setembro, pelas 15h00), que ontem, no final de um dia de chuva, estava cheia de poças de água e infiltraçoes, arcaicamente remediadas com baldes (!) por baixo das goteiras. Lembra as melhores encenaçoes de desgraça de que me lembro. Mais um belo exemplo de engenharia espanhola e relembra que acabar obras à pressa nao é um fenómeno exclusivo do rectângulo à beira-mar plantado.
Ah, só para acrescentar, mas sem nada a ver com o metro de Madrid, ontem, dia de chuva, houve um engarrafamento de... 180 km(?!?!?!) Pelo menos era a manchete de hoje do diário gratuíto "Qué". O pessoal precisa da água, mas realmente dispensava era a chuva.

Etiquetas:

terça-feira, maio 09, 2006

Portbou

Quando parei à espera do comboio em Cerbére, nem saí da estação. Não me lembrei onde estava e ocupei o tempo com os meus pensamentos. À volta, antes de me entreter comigo mesmo, resolvi não cometer o mesmo erro e depois de comprar o bilhete que me leva de volta a Barcelona, saí da estação por umas escadas que são uma entrada para um meio de transporte pouco acessível para pessoas com mobilidade reduzida. Passo por uns cafés feios na rua que continua a descer. A altura da estação são 37 metros face ao nível médio do Mediterrâneo, que não estará a mais de 500 metros, o que torna o declive assinalável.
Com uma hora e meia de espera, gostava de ir ver a fronteira onde o cão silencioso do romance do Saramago se decide por um salto através da fenda que na história separa a Europa da nova janfgada. Só quando já estava em França é que me lembro do que tinha lido e no regresso, a curiosidade instalou-se. Uma pressa fora de tempo faz com que a caminhada de 3 km que a placa assinala, a subir, como o mapa da cidade parece indicar olhando para a direcção da estrada e que a montanha à minha frente impõe, se torne uma viagem que afinal não quero fazer. Se calhar, um pequeno medo de quando lá passar, que a terra comece também a tremer sob os meus pés e que Ibéria fuja da Europa. Decidir para que lado iria não seria, naquele dia, fácil e quem sabe me decidisse pelo abismo que hipoteticamente se abriria abaixo de mim.
Fico-me pela praia, pequena, escura e naquele dia fria, como parece reclamar o turista que meio de propósito, meio por acidente, molha os sapatos de ténis no mar enquanto lhe tiram a fotografia.
Resolvo voltar para a estação e chama-me à atenção um corredor sem luz nem destino, na continuação das escadas de acesso à estação. Nenhuma barreira física impede alguém de prosseguir em frente, rumo à escuridão e ao desconhecido, apenas um aviso "Prohibido el paso". Ainda tive alguma curiosidade, mas o pensamento de que se tratava de uma tentação juvenil, inconsequente e que provavelmente acabaria comigo a bater com o nariz numa parede invisível fizeram-me voltar para as linhas.

Etiquetas:

Perpignan

Tal como Narbonne, tenho cerca de uma hora entre comboios. Saio da estação e em vez de dois bares, tenho uma rua enorme cheia de Patisseries, Bares, Kebabs, Boulangeries, Pizarias, Restaurantes, etc. Percorro a rua até ao fim e percebo que posso comer o que bem entender, pois a oferta é variadíssima. No final, um mercado dedicado às "Dames de France", com uma praça que a antecede, com as suas fontes que cospem água do chão, fazem empalidecer a triste rotunda de Narbonne. Valeu a pena sair da estação. A sandes de frango também e reparo que durante todo o tempo que estive em França, apenas bebi Ice Tea... Estranho.

Etiquetas:

Carcassonne

Saio da estação e deparo-me com o rio. Um canal controla o fluxo das águas e permite perceber que há passeios de barco no l'Aude. Assim enquadrada, a estação até parece bonita, com um pequeno parque arborizado nas margens do percurso de água domado. Escolho o caminho mais curto e evito o centro da cidade nova. Arrependo-me, não por ser um percurso feio, mas simporque os meus vislumbres pelas ruas que penetram a esquadria do centro prometem algo ainda mais interessante.
Tenho uma decepção numa praça antes da ponte que leva à ao lado velho da cidade. Tapumes prometem uma vida melhor aos cidadãos de Carcassonne. E tudo por causa de 400 lugares de estacionamento. Atravesso o rio em busca da Pousada da Juventude, mas perguntando-me se não estará cheia e se não devia pelo menos perguntar os preços nos hotéis de duas estrelas.
O meu dom de ler mapas falha-me quando por uns segundos me distraio a olhar para a bela silhueta do castelo. Entro pelo lado oposto, mas não me oponho, uma vez que estou mais perto do meu objectivo sem ter de me orientar no labirinto da cidade velha. As portas medievais estão agora sempre abertas e o que antes repelia estrangeiros, hoje, ironicamente atrai-os.
A cidade está perfeitamente conservada, mais do que outras que já visitei que ganham dinheiro à conta do seu passado medieval. Em Portugal Óbidos, Marvão ou Castelo de Vide não lhe devem muito, em Espanha, Pedraza é apenas mais pequena e na Croácia, Dubrovnik, pela sua maior importância histórica, bate esta francesa, mas sem dúvida a visita vale a pena.
Durmo uma noite na Pousada da Juventude, pejada de pequenos escursionistas espanhois. A simpatia dos trabalhadores de hotelaria franceses deixa a desejar, mas eu fico contente por perceber que ainda falo a lingua e por não lhes deixar nem um cêntimo de gorjeta. No dia seguinte tiro umas fotos (não digitais, lamento), percorro a muralha por fora e vou embora. Desta vez passo pelo centro da cidade nova e constanto que fiz bem, pois a cidade é bem animada, cheia de comércio, tem muita gente e uma possui uma arquitectura que não sendo do outro mundo, é digna de nota.

Etiquetas:

Narbonne

Espanha fica nas minhas costas, o Mediterrâneo rebenta contra os rochedos do Languedoc. Ao fundo, os Pirinéus majestosos e cobertos de neve afastam-se, mas a presença nota-se durante muitos kilometros. Estou novamente num meio de transporte em França. Já passei por França e já parei em França, mas nunca "estive" em França. Devo trocar de comboio em Narbonne. Saio da estação porque ainda tenho algum tempo de espera. Narbonne tem dois cafés em frente à estação. Escolho o da direita porque é o único que tem gente. Como uma sandes com queijo - baguette com brie, naturalmente - e saio dali seguindo pela rua em frente à estação. Vou até ao fim da rua, encontro uma rotunda e volto. Toda a cidade é assim, para mim, uma colecção de edifícios discretos, pacatos e sem brilho. Será que faltou ver qualquer coisa?

Etiquetas:

Figueres

Paro em Figueres por uma única razão, o museu do Dali. Apesar de não ser grande apreciador de pintura, não porque não goste, mas porque acho que não tenho tempo de me dedicar ao seu estudo e compreensão com o devido interesse que merece, Dali é provavelmente o meu pintor preferido. O surrealismo é um estilo que me agrada e Dali é possivelmente o seu expoente máximo. Saio do comboio e chefo a uma cidade feia. Não há placas, mapas ou qualquer sinal que indique a direcção (a existência sim) que se deve tomar para visitar o ex-libris da cidade. Dirijo-me a um "local" e depois do meu "buenas tardes" responde-me interrogando-me imediatamente: "museu Dali?" Deve ser horrível viver numa cidade que só tem uma coisa, mas sem dúvida melhor do que não ter nenhuma. O museu é no centro da cidade e após a primeira indicação de direcção, as placas finalmente aparecem. O edifício é interessante, mas o interior, depois de começar bem, com um átrio e um salão enorme, continua com uma amálgama de obras do artista que quase parecem encavalitadas, apenas com o título e a data da obra (o que não acontecia com todas). Curiosamente, e em paralelo com o que se passava com o museu Picasso, não haviam grandes obras do artista, o que pode ser revelador de alguma incapacidade dos museus espanhois em "segurarem" as melhores partes do espólio dos seus mais famosos artistas praticamente contemporâneos.
Saí da cidade menos de duas horas depois de ter chegado e ainda tive tempo para comer. É portanto possível, já sabem.

Etiquetas:

Barcelona

Almoçamos num restaurante chamado Rá, em Raval. Visitamos as Ramblas, o Bairro Gótico, el Born e ainda vemos as duas casas projectadas por Gaudi no Passeig de Gracia. Acabamos de jantar já pelas duas da manhã, depois de uma conversa imprevista com um casal bastante mais velho onde tive a oportunidade de não perder a calma a falar com um castelhano anti-autonomia, católico convicto, direitista anti-Zapatero, pró-israelita e anti-árabe. Discutimos tudo aquilo em que estávamos em desacordo: política, religião e história. Só nesta última não houve lugar a grandes discussões dado o seu desconhecimento total da história de Portugal (sabia que tinhamos pertencido em tempos a Espanha e nada mais) e ao meu desconhecimento parcial da história de Espanha. Recusamos o convite para voltar a jantar com eles e dirigimo-nos para os locais de diversão nocturna.
Shoko, o bar/restaurante/discoteca da moda número 1 estava já fechado. Mesmo ao lado, a fila para o Catwalk - o local numero 2 - engrossava com os rejeitados do primeiro e a nossa disposição não era para esoeras de tempo indeterminado. Resolvemo-nos por um bar manhoso na doca olímpica, onde os êxitos famosos dos anos 90 rapidamente são substituídos por um medley super-comercial de música de filmes dos anos 80 entre outras pérolas da música que já não nos queriamos lembrar de que nos lembravamos.
No dia seguinte, voltamos ao local do crime, mas desta vez, vamos além e almoçamos numa esplanada na praia, surpreendentemente cheia, não pelo tempo, mas pelo dia do calendário. Passeamos pela praia e pelo bairro de Barceloneta e resolvemos visitar os jardins de Gaudi, onde a vista para a cidade é deslumbrante. A próxima paragem é a Sagrada Famíliam cuja minha primeira impressão é de que, como templo de adoração é grotesco (talvez como cenário para Aliens 6, esteja bem...).
No dia seguinte visitamos o museu Picasso. A maior parte das obras expostas são trabalhos dos primeiros anos do artista, e apesar de uma boa ideia de como foi a sua evolução desde que se inicia até cerca de 1920, dá depois um salto enorme até 1957 ou algo assim, ignorando por completo uma parte da obra do artista que, mesmo sem conhecer, imagino que tenha sido importante na sua carreira. Pelo menos dão-se ao trabalho de contextualizar o período em que foram elaboradas as obras complementando a informação dos quadros com detalhes da vida do artista.
À noite, descobrimos que as discotecas ou estão fechadas ou têm festas privadas ou estão a fechar. Como diz um taxista, no que diz respeito a vida nocturna, "Barcelona não é como Madrid". Quando cheguei a Barcelona vinha com algumas expectativas, pois a maior parte das pessoas prefere esta cidade a Madrid. Eu acho que é um empate bastante cerrado, com algumas coisas a favorecerem Madrid e outras Barcelona. No entanto estou contente por viver na cidade onde vivo.

Etiquetas:

Valência

Chego pela auto-estrada e tento orientar-me pelo mapa que reparo que está orientado a... Oeste. Mais tarde percebo que a cidade é meio esquizofrénica, uma vez que também vi mapas orientados a Leste e a Norte (felizmente). Procuramos a rua onde G. vai trabalhar, orientando-me a muito custo graças a um ponto de referência que finalmente aparece. O mapa não fazia sentido pois o novo caudal do rio Túria (desviado para se construirem parques), parece também um relvado.
À primeira vista a cidade é acolhedora, mas mais no centro, pois até lá chegarmos parece uma urbe igual a tantas outras espanholas. Estacionamos e ela descobre a rua onde eu devo ficar. Surpreende-me pela insistência naquele lugar, mas lá chegado não tenho objecções. Tem tudo o que preciso.
Instalo-me e vou passear pela cidade sozinho. Ligo a outra amiga que também está por perto e tento encontrar-me com ela, mas desengano-me porque ela está um pouco fora da cidade. Mais tarde. Depois de obrigações, viagens e passeios, encontramo-nos os três num bar chamado O'clock, onde vi a melhor equipa de futebol do mundo (este ano) a chegar à final da Liga dos Campeões. Jantamos e passeamos pela noite de Valência.
No dia seguinte, passeio mais. Vejo o velho leito do rio, agora roubado às águas para servir os valencianos. É agradável e espaçoso. No final, uma série de construções modernas impressiona-me completamente. O Palau de les Arts, o hemisferic, o museu de ciência, e o oceanografic fazem um conjunto arquitectónico ultra-moderno difícil de igualar em qualquer lado do mundo. É aqui que mais tarde verei o festival de que falarei mais à frente.
Visito o museu da cidade onde vejo o acervo de obras artísticas do "ajuntament". Cada vez mais compreendo que a iconografia católica é louca e esquizofrénica. Virgens, fujam das pombas que cospem messias directamente para os vossos úteros. Começo a perceber que conheço cada vez mais santos e as imagens que lhes estão associadas. Julgo estar a desenvolver um interesse blasfemo sobre a vida dos santos... Mas há um que interessa em particular: São Vicente foi martirizado em Valência e o "seu" braço esquerdo está preservado na catedral da cidade, onde, já agora, "está" também o Santo Graal (a taça onde Jesus bebeu na noite da última ceia). A catedral é também importante devido a nela se realizarem as sessões do único tribunal reconhecido pela constituição espanhola que não é regido por um ramo do estado espanhol: o tribunal da água que aqui se reúne desde há vários séculos.
Visitei igualmente a cripta de São Vicente, onde uma interessante apresentação multi-média nos revela a importância da cidade ao longo dos tempos, desde a colonização romana passando pelas peregrinações à própria cripta do santo nos tempos visigóticos, a ocupação muçulmana e a sua reconquista definitiva pelos cristãos.
O festival fica para mais tarde.

Etiquetas:

domingo, abril 23, 2006

A conhecer Madrid - a linha 4 do Metro

A linha 4 de metro começa na estação de Argüelles, na calle Princesa, uma zona bonita e com uma aparência que revela que se vive bem por estes lados. Sigo pela calle de Alberto Aguilera, uma avenida larga, onde há todas as lojas que normalmente encontramos nos centros comerciais bem como cafés e bares de aparência mais requintada. Continuo por uns quantos quarteirões e chegamos à glorieta de Ruiz Rimenez, onde a linha 4 se cruza com a linha 2 e que medeia a calle San Bernardo. Aqui podemos ver as casas com muito mau gosto cheias de trepadeiras de que já falei antes. Aqui a rua começa a chamar-se Carranza e assim é por um quarteirão até que chegamos à glorieta de Bilbao, onde a linha 4 cruza a linha 1.
Continuamos numa zona relativamente nobre da cidade, apesar de à direita (a sul, portanto) estar a zona de tribunal onde à noite temos o sítio mais "Bairro Alto" (é discutível, no entanto) para se sair à noite. A partir da glorieta de Bilbao, se continuamos a seguir para Leste, seguimos pela calle Sagasta. Esta, descai um pouco para Sudeste e a sul está também cheia de bares e actividade nocturna. Trata-se da zona de Chueca, conhecida pela sua vida nocturna de cariz mais alternativo, concretamente, trata-se da zona da cidade onde se concentra de uma forma mais evidente, a vida nocturna gay da cidade.
Chegamos à Plaza de Alonso Martinez, onde a linha 4 se cruza com a linha 5 e a linha 10. Daqui, continuamos para sudeste, pela Calle de Genova. Eu diria que desde que iniciei este passeio, todos os prédios são os que tipicamente me agradam em Madrid. Imponentes, com belas varandas de metal trabalhado, poucas discrepâncias entre o tamanho de um edifício e do que se lhe segue, ou seja tudo isto faz com que seja bastante agradável à vista. Na calle de Genova, encontramos duas "belas" (bem pelo contrário) excepções. Em primeiro lugar, o edifício sede do Partido Popular. Política à parte, um edifício todo em vidro enquadrado pelos que acabei de descrever está absolutamente desenquadrado. É feio! Pouco depois, temos um outro edifício indiscritivelmente feio, com umas janelas viradas a sul e não Sudoeste, como todas as outras daquele lado da rua, que para cúmulo, tem um restaurante chamado "Tony Roma's famous ribs"... Famosas pelo menos pelo indiscrítivel edifício onde se situam, quanto a mim.
Faço um pequeno desvio da linha 4 e visito a Plaza de la Villa de Paris, onde está o Palácio de Justiça e duas estátuas de que vale a pena falar um pouco. A primeira que vejo é a de Fernando VI, rei de Espanha. A segunda é a de Bárbara de Braganza, sua esposa. Bárbara era filha de D. João V, rei de Portugal. Este, depois de três anos casado e sem filhos prometeu que se ergueria um grande convento caso tivesse algum descendente. Assim, em agradecimento ao nascimento de Bárbara, construiu-se o enorme convento de Mafra. Maria Madalena Bárbara Xavier Leonor Teresa Antónia Josefa de Bragança (uff...) foi então casada com Fernando VI de Espanha. Quando a conheceu, o rei ficou de certa forma incomodado, uma vez que Bárbara de Bragança... era feia como tudo! Pois é. Mas como prova de que a beleza não é tudo, a história destes dois fica marcada na monarquia espanhola. Bárbara dedica-se ao seu esposo de forma total, de maneira que este fica absolutamente apaixonado pela princesa portuguesa. Durante toda a sua vida não têm filhos e quando esta finalmente morre em 1758, D. Fernando enloquece. Foi sucedido no trono pelo seu irmão.
Retomo o meu percurso no final da calle de Genova e chego ao Paseo de la Castellana, mais concretamente, à plaza de Colón. Posso-vos garantir que atravessar esta praça... demora! Mas se preferirmos, podemos usar o metro. É bastante grande, tem um centro cultural subterrâneo, um belo jardim enorme (jardines del Descubrimiento) nas costas da imponente estátua de Cristovão Colombo (para os mais distraídos, Colón é Colombo em espanhol) e no topo Leste da praça uns enormes blocos de cimento armado comemorativos do descobrimento da América (ou das Bahamas, Cuba e da Hispaniola - a ilha dividida entre a República Dominicada e do Haiti...) em 1492. Curiosamente, os nomes de TODOS os viajantes nas três embarcações estão presentes nestes blocos comemorativos.
Passo pela estação de Serrano, que está na outra ponta da praça de Colón e seguimos pela calle Goya, entrando assim na zona de Salamanca (chamada assim por causa do Marqués de Salamanca), outra zona de camadas médias/altas da cidade. Passo por aquele que deverá ser o cruzamento mais importante em termos culturais de Madrid. Não pela quantidade de oferta que aqui se encontra, mas sim porque aqui se cruzam as ruas de Goya e Velázquez. Passamos a estação de Velázquez e continuamos na calle Goya até que chegamos à estação com o mesmo nome, onde a linha 2 volta a tocar a linha 4, no cruzamento com a calle de Alcalá.
Viramos bruscamente à esquerda, em direcção a Norte, pela calle del Conde de Peñalver. Não é propriamente uma zona interessante, mas continuamos a perceber o carácter "rico" da linha 4, pois ainda não se viram nenhuns edifícios degradados ou com pior aspecto. Falando em pior aspecto, passamos por uma das igrejas mais feias do universo.Passamos pela estação Lista (pronta? Pronta para quê?) e por Diego de León, cruzamento com a linha 5.
A Conde de Peñalver acaba no cruzamento entre a calle Diego de León e com a Francisco Silvela. Estamos agora a chegar à estação de Avenida de América, onde palavra de honra não me consigo entender com os mapas! Já cá estive antes, nomeadamente a procurar casa e mesmo com o meu "callejero" não me consigo entender com isto tendo mesmo chegado a perder-me por aqui! Cruzo a Avenida de América e sigo mais um pouco pela Francisco Silvela até que chego ao cruzamento com a Principe de Vergara onde tento finalmente sair deste "triangulo das Bermudas" do mapa da Madrid. Daqui subo para Norte e rapidamente volto para Nordeste, seguido agora pela calle Lopez de Hoyos. E aqui sim, acabou-se a zona previlegiada. Estamos finalmente numa zona mais modesta.
Passo pela estação Prosperidad, pela Alfonso XIII e deparo-me com a M30, a circular que normalmente me limita as explorações. Subo por uma rua sem nome em direção a Norte e chego ao parque de Félix Rodriguez de la Fuente que foi um destacado zoólogo no século passado. Entro na avenida de Ramón e Cajal e atravesso a M30. Chego à estação de Av. de la Paz e paro por aqui. Fico a dois quarteirões da casa da minha amiga Vivian, mas não me apetece visitar depois desta caminhada de quase 3 horas. A seguir da estação Arturo Soria, onde vive a Vivian, está a estação que poderá ter inspirado o Manu Chao... "Próxima estación: Esperanza".

Etiquetas:

segunda-feira, abril 10, 2006

A conhecer Madrid - a linha 3 do Metro (não, ainda não há fotos)

Comecemos pelo final. Eu moro ao longo da linha 3 de metro. A duas estações do final, sendo que o terminal do meu lado está em obras, ou seja, moro na (agora) penúltima estação. Fiz assim a linha 3 completa em duas situações distintas. Primeiro em direcção ao extremo mais longe e só mais tarde o resto que faltava para o outro lado. Mas começo pelo lado mais pequeno, desde minha casa perto da estação Palos de La Frontera até Legazpi. Basicamente, este troço da linha 3 é todo feito na minha rua, o Paseo de Delicias. Assim, saí de casa e desci a minha rua, como faço todos os dias para apanhar o comboio na estação com o mesmo nome. Passo pelos estabelecimentos que vejo todos os dias e que são já familiares, parte da rotina. São apenas dois quarteirões, com um jardim pelo meio. Passo a estação e começo passo agora para a parte desconhecida da rua onde moro.
Nota-se alguma diferença? Será impressão ou será que os prédios começam a parecer mais feios? A impressão torna-se mais forte conforme a luminosidade diminui igualmente. De facto, entramos numa zona, mais perto de Legazpi, onde as casas são diferentes, piores e onde se começa a notar que não há tantos espanhois. Assim, chegando finalmente à estação de Legazpi, estamos já completamente longe do topo do Paseo de las Delícias e os edificios monumentais que daí se vêem, como por exemplo o museu Rainha Sofia. É portanto, o lado mais curto e mais desinteressante da linha 3.
Façamos agora o percurso no sentido inverso, e saio de minha casa e sigo imediatamente pela calle Palos de La Frontera. Por aqui, tudo normal, zona de classe média e sem nada a assinalar. Chego à calle de Embajadores que dá nome à próxima estação de metro da linha e subo para a direita. A calle Embajadores é tão larga como o Paseo de Delícias e cruzam-se mais abaixo, numa
praça por onde passo a caminho de Legazpi. Tenho de subir ainda durante algum tempo e digo subir porque apesar de Madrid ser relativamente plana, quanto mais a sul se está, maior é o declive (e aqui ainda estamos a sul). Chego à Glorieta de Embajadores, em obras, as malditas obras que estão omnipresentes na cidade, fruto da ilusão de organizar os jogos olímpicos de 2012, que ocorrerá em Londres. Parece Lisboa em 1997... mas maior.
Na glorieta de Embajadores, apanho a calle Miguel Servet e entro já na mal afamada zona de Lavapiés. Quando aqui a Madrid, perguntei que zonas são perigosas. Disseram-me que nada é muito perigoso, o que me pareceu estranho, dados os cuidados que tenho quando ando em Lisboa. Reforcei a pergunta e avisaram-me com alguma reticência que as "afueras" (os subúrbios) eram perigosos, mas que no centro da cidade, talvez devido ao carácter demográfico da população apenas a zona de Lavapiés era causa de maiores cuidados. Aparentemente há uns anos era realmente perigosa, mas agora está melhor. No entanto confesso que alguns indivíduos tinham algum aspecto duvidoso. Foi igualmente aqui que vi a única evidência de crime, quando passei mais tarde por uma senhora que chorava enquanto falava com a polícia. No entanto, já passei por aqui várias vezes (inclusivé pelas 3h da manhã) e nada se passou. No entanto a primeira impressão foi muito interessante. A rua Miguel Servet está cheia de pequenos restaurantes de várias nacionalidades, que nos domingos à tarde (após "el Rastro") se enchem de pessoas que bebem copos (segundo um meu companheiro de casa directamente da noite anterior...) e convivem com os seus amigos para aproveitar o fim do fim de semana. Chegando à calle Valência, viro à esquerda, continuando a subir (o declive continua), já muito perto da plaza de Lavapiés. Aqui está a estação de metro seguinte. Agora, na direcção que pretendo tomar, existem 3 ruas que sobem na mesma direcção. Resolvo apanhar a do meio, a calle Olivar.
A diferença não teria sido muita, pois as três vão dar a pontos diferentes da calle de la Madalena, a partir da qual seria fácil seguir caminho em direcção à Puerta del Sol. Entretanto já passei por estas três ruas, tanto de dia como de noite (Lavapiés, como seria de esperar, é um óptimo local para se sair pela noite, beber copos com amigos, comer, ver espectáculos, etc.) e posso dizer que ambas estão cheias de pequenos bares, casas de chá, restaurantes e sítios que visitar com tempo ou sem, para apenas beber um copo. No meu passeio original, chego à calle Atocha e viro à esquerda, alcançando a plaza Jacinto Benavente. Mais uma vez (tal como se passou com a linha 1) passo na calle Carretas cheia de comércio e atinjo Sol.
Daqui, sigo pela calle de Preciados, esta sim, cheia de comércio, bares e animação, de tal forma que lembra uma rua Augusta (de Lisboa) condensada em 350/400 metros. Aqui está por exemplo a tentadora Fnac de 5 ou 6 andares (onde já vi "The death of a chinese bookie", o filme donde tirei o meu "misterioso" endereço de e-mail...). De resto, chegando à plaza de Callao, vemos muitos cinemas (não daqueles que eu frequento, pois aqui é só filmes dobrados) e sentimos que estamos no coração de Madrid, tendo passado há pouco por Sol e tendo ao nosso lado a Gran Via. E é pela Gran Via que descemos (sim, aqui já descemos outra vez, mas explicarei porquê noutra ocasião), passando pelos mesmos edifícios que quando visitei esta cidade pela primeira vez em 1999 fizeram com que eu tivesse imediatamente a impressão de estar numa cidade grandiosa, muito mais cidade grande, no sentido europeu da coisa. Discutia eu há alguns anos com um colega de trabalho holandês que Lisboa não lhe dava a ideia de ser uma cidade grande e de facto observando o centro de Madrid (e claro, o tamanho do resto), percebe-se porque é que ele dizia isso.
No fim da Gran Via, está a plaza de España, com alguns dos edifícios mais altos desta parte de Madrid e com um parque simpático e suficientemente grande para acomodar algumas centenas de pessoas durante os dias de calor, com o seu monumento ao D. Quixote (ah pois é!).
Atravesso o parque e desvio-me do percurso do metro em direcção à calle de Ferraz e não à calle Princesa. Atrás de mim está o Palácio Real e à minha esquerda fica agora um enorme parque com com vista para a Casa de Campo (que é igualmente um enorme parque que limita a Oeste a cidade), e o templo de Debod, um templo egipcio que foi oferecido pelo governo deste país para agradecer os financiamentos espanhois aquando do corte de investimento americano na barragem do Assuão, devido ao envolvimento do Egipto na guerra dos seis dias. "Toma lá dinheiro para uma barragem! Obrigado, aqui tens um templo!" Que raro, como se diz por aqui. Continuo mais um pouco pela Ferraz, que está cheia de edifícios que revelam que estamos numa zona cara da cidade. Mas como tem pouco que se veja, rapidamente tento seguir pela paralela à sua esquerda, o Paseo del Pintor Rosales. Não sei quem é este pintor Rosales, mas o seu paseo tem uma vista muito agradável para a Casa de Campo. Aqui encontra-se o teleférico que liga a cidade a um sítio no meio da Casa de Campo (que ainda não tive oportunidade de conhecer). Acho que se tivesse "bueda guito", era aqui que morava... O paseo del Pintor Rosales extende-se por uma grande distância, até que faz esquina com o Paseo de Moret, paralela à pequena, mas muito agradável calle de Lisboa).
O paseo de Moret está cheio de árvores imagino que seja muito fresco e agradável de verão, e chega ao final da linha 3, Moncloa (onde imagino que esteja o parlamento), que não conseguir ver. Estamos agora a voltar para trás, ou seja, a seguir a linha 3 do início de volta à plaza de España. Logo no início da calle Pricesa, está o Cuartel General del Ejército del Aire, onde está muito visível um agradecimento na fachada do edifício... ao General Franco! Esta é uma fas grandes diferenças que se faz sentir entre Portugal e Espanha: é que para o bem e para o mal, os espanhois não tiveram uma revolução que restabelecesse a democracia. Foi uma passagem "controlada", mas que fez com que determinadas coisas que para mim são chocantes aqui se passem com naturalidade. Imaginem o que seria um agradecimento num edifício público ao Presidente do Conselho Salazar? A mim não me faria rir.
Continuando pela calle Princesa, chegamos à estação de Argüelles, de onde parte a linha 4 do metro, a próxima a explorar. Seguimos e passmos pela estação Ventura Rodríguez, que estava fechada quando cheguei a Madrid, mas entretanto já abriu. A partir de aqui, nada de grande interesse até chegar novamente à plaza de España. No número 1 da calle princesa está a sala Heineken (tinha outro nome até há pouco tempo, mas vender nomes de recintos de espectáculos parece que está na moda e dá dinheiro). E aqui estamos novamente na plaza de España. De assinalar que aqui nesta zona estão 4 dos cinemas que eu frequento. Sou habitué da plaza de España!

Etiquetas:

terça-feira, março 21, 2006

A conhecer Madrid - a linha 2 do Metro

Desta vez comecei por Cuatro Caminos, descendo a Bravo Murillo, desinteressante neste ponto, uma zona com pouco comércio, pouca habitação e pouca gente. Desço, afastando-me progressivamente da linha 1 do metro, mas ainda assim, uma das primeiras ruas com que me cruzo é a Rios Rozas. Passo assim pela estação de Canal, na esquina com a José Abascal. Começamos agora a aproximar-nos de uma das zona mais mais "nobre" da cidade.
Chegamos à glorieta de Quevedo, onde está a estação com esse nome. Termina aqui a Bravo Murillo e começa a calle de San Bernardo, que nos acompanhará ainda durante algum tempo nesta viagem pela linha 2 do metro. Estou agora na glorieta de Gimenez e aqui salta à vista que é uma zona um pouco mais endinheirada. Esta glorieta separa a calle Alberto Aguillera e a calle Carranza, por onde segue a linha 4 que intercepta a 2 na estação San Bernardo. Nota-se que os prédios são mais cuidados apesar de antigos. Não obstante, o mau gosto é uma coisa transversal às classes sociais e há aqui uns prédios com umas trepadeiras que me parecem verdadeiramente feias. O curioso é que continuando a descer pela San Bernardo, dá para reparar nuns outros prédios do mesmo lado onde repetem a tentativa de cobrir as paredes do prédio com trepadeiras, o que dá a esta zona uma estranha ideia de ter havido uma "moda" relativamente a este tipo de decoração "urbana" (se é que se pode chamar isso..).
Rapidamente a calle San Bernardo começa a estreitar, sinal de que estamos a chegar ao centro de Madrid e à sua parte mais velha. A próxima estação é Noviciado, e aqui a rua é já muito estreita e tem restaurantes que apelam claramente ao turista. Estamos já muito perto da Gran Via. Mais um pouco atravesso a Gran Via e chego à Plaza de Santo Domingo, onde finalmente termina a calle San Bernardo e que dá nome à próxima estação de metro. Esta é provavelmente a praça do centro de Madrid mais feia que eu conheço. Não ajuda o parque de estacionamento equipado com lojas de pequenos proprietários tradicionais que está (felizmente) a ser demolida.
Continuo a descer (literalmente, já que existe um declive e não apenas por estar a falar de um percurso Norte-Sul), desta vez pela Cuesta de Santo Domingo em direcção à pequena calle Arrieta e à plaza de Isabel II, onde está o edifício da Ópera Real de Madrid (sim, curiosamente quando estava a pensar em ir à opera, cheguei a procurar na intenet qual seria a estação de metro mais próxima deste edifício. Depois de um tempo sem descobrir, reparei que há uma estação que se chama... Ópera! DaH!). Aqui estou no coração de Madrid, seguindo pela Calle Arenal até Puerta del Sol. Não sei onde está a porta, mas já cá deve ter estado... Passo pela praça mais movimentada de Madrid e sigo agora por aquela que deve ser a maior rua de Madrid, a calle Alcalá. A partir de agora, este deve ter sido o percurso que o Bruno e a Joana tiveram de fazer no meio da neve quando cá estiveram por não conseguirem apanhar taxi às tantas da manhã...
Logo no início da calle Alcalá, notam-se vários edifícios antigos, mandados erigir pelo rei mais popular de Madrid, Carlos III, que durante o século XVIII fez a capital de Madrid passar de lugarejo onde estava a corte, a cidade. Passamos pela esquina desta rua com a calle Sevilla, que dá o nome à próxima estação de metro da linha 2. A regularidade de edifícios grandiosos diminui conforme nos afastamos de Sol, mas temos ainda muitos exemplos de tal, como por exemplo o Banco de España, próxima estação no nosso percurso. Imediatamente após esta, chegamos à plaza de Cibelles, agora sem água devido à seca. Cibelles, onde começa o Paseo de la Castellana, uma das avenidas mais impressionantes que conheço devido ao seu tamanho e aos edifícios que lá estão. Cibelles, que está acompanhada pelo Palácio de las Comunicaciones, estranho destino para um palácio com uma arquitectura verdadeiramente extravagante e invulgar.
Continuo pela calle Alcalá (até ao final da linha 2, diga-se de passagem) e chegamos a outro monumento que compete para ex-libris da cidade, a Puerta de Alcalá, na plaza de la Indipendencia. À nossa direita começa o jardim do Retiro (onde eu nunca fui ainda, mas que terei de ir em breve, nomeadamente quando começar a fazer calor...). Sigo junto às grades que o separam em parte do resto da cidade (há um horário de funcionamento, o que talvez ajude a preservá-lo) e quando este acaba, chego à estação Principe de Vergara, assim chamada devido a uma enorme avenida que aqui começa com esse nome.
Reparo numa placa que celebra a arquitectura única (em Madrid) do bairro de Salamanca, no limite Sul do qual estou. Pouco depois, a calle Goya cruza-se com a calle Alcalá num grande cruzamento e com uma estação de metro (onde novamente cruzamos a linha 4) com o nome dessa rua. Aqui divirjo do caminho tomado pelo Bruno e pela Joana na noite de neve (na qual eu me tentava divertir numa medíocre festa indiana em Brighton). Eles seguiram para Norte, eu continuo para Nordeste.
Chego assim a uma praça que curiosamente me lembra a Praça de Londres em Lisboa (jardins, uma igreja... enfim, estas lembranças são certamente relativas e possivelmente a mais ninguém esta praça lembraria a praça de Londres. Mas a mim lembrou.), Manuel Becerra. Nota-se que estamos a sair do Bairro de Salamanca, bairro bem frequentado, não dos mais acessíveis monetariamente, mas ainda assim de classe média, penso eu. Aqui começam a haver mais misturas de pessoas de diferentes origens, não só sociais, mas também geográficas.
Estou quase no final da linha 2 e a próxima estação é a última, já junto à M30 (a circular de Madrid), em teoria o meu limite de exploração. Perguntava-me eu se valia a pena ir a esta estação? A resposta é simples, sim! Aqui está a praça de touros Monumental de las Ventas, que dá o nome ao terminal da linha 2. Curiosamente, cheguei aqui cerca de 15 minutos antes de começar a nova temporada! Ainda considerei entrar, uma vez que havia preços para todos os gostos (havia praticamente bilhetes a TODOS os preços desde 2 euros a 57, dependendo da fila em que queremos ficar - como ex-profissional de bilhética, devo dizer que deve ser um pesadelo tratar daquilo, mas em termos de serviço ao cliente deve ser difícil de superar). E em Ventas termina a linha 2...

Etiquetas:

domingo, março 05, 2006

A conhecer Madrid - a linha 1 do Metro

Julgo que a melhor maneira de conhecer uma cidade tão grande como é Madrid é numa primeira fase através dos seus eixos principais e posteriormente tentar "ligar os pontos". Assim, decidi percorrer pela superfície as linhas do metro. Uma por semana, uma bela caminhada de 3 horas, é saudável, distrai e ajuda-me a conhecer a cidade.
Há já umas semanas fiz a linha 3, a mais próxima de minha casa, mas dessa falarei depois. Começo assim pela linha 1. Subindo o Paseo de Delícias, onde moro, chego perto da estação de comboios de Atocha e da estação de metro de Atocha, onde inicio o meu percurso. A linha 1 de metro não começa nem acaba nesta estação. Para sul já fui antes enquanto procurava casa, e apesar de algumas coisas interessantes, está longe do centro, é das áreas mais degradadas e menos concorridas e assim decidi que a minha curiosidade, por agora, não me levava a querer começar por ali. Assim, subi a calle Atocha.
No primeiro dia que cheguei a Madrid e comecei a procurar casa, saí da estação de comboios de Atocha e também subi esta rua, por isso é quase poético que comece a minha exploração sistemática da cidade por aqui. Esta rua está cheia de comércio variado e foi aqui que vim à internet nos primeiros dias antes de estar instalado, fiz os meus telefonemas, comprei o cartão do telemóvel, comi, etc... ou seja, era a minha "base" antes de eu estar realmente instalado.
Chegando à estação de Anton Martin, viro à esquerda, seguindo pela calle Magdalena até à Plaza de Tirso de Molina. Sendo hoje domingo, preocupo-me em evitar "El Rastro", mas os tapumes da obras cujo objectivo me escapa separam-me da confusão enquanto procuro a rua certa para virar à direita em direcção a Sol. Encontro a rua da saída do cinema Yelmo (a Dr. Cortezo) que me leva à plaza Jacinto Benavente, ponto importante da agitação de copos e vida nocturna da zona de Sol.
Ao seguir, pela calle Carretas, lembro-me que pode ser um bom dia para comprar alguma das três peças de roupa que preciso comprar. O sinal de "rebajas" na primeira loja é um bom indicador disso. Sigo com calma pela pequena calle Carretas até Puerta del Sol entrando nas lojinhas, mas sem comprar nada. Atravesso a praça e sigo pela calle Montera, onde da primeira vez que passei, sozinho e por volta da 1h30 da manhã, uma prostituta chegou a agarrar-me para eu lhe dar um bocado de "atenção". Recusei menos delicadamente do que devia na altura, mas não gosto que me agarrem. Durante o dia, contudo, a rua é composta por um conjunto de lojas de tatuagens, piercings, sex shops, locais de espectáculos de strip tease e restaurantes com melhor e pior aspecto, muitos fechados, poucos abertos.
Chego assim à Gran Via. Atravesso-a e escolho cuidadosamente a rua que me levará à estação Tribunal. Reconheço o nome de uma rua, Fuencarral, que sei que irá ter à estação seguinte, Bilbao, onde fui ver um quarto no número 107 desta rua. Sigo assim pela calle Fuencarral pensando já no que havia de comer. Nesta rua continuam as muitas lojas de roupa, iguais (a maioria delas) às que temos nos centros comerciais portugueses, mas será sem dúvida uma rua que as meninas devem gostar de visitar. Reparo num restaurante tradicional "Ribeira do Miño" e vou espreitar. Tal como o nome parece indicar, é um restaurante Galego e parece barato e parece concorrido e parece ter bom aspecto. A lembrar para uma futura ocasião. Este mês o salário foi menor, por isso mais vale seguir em frente. Chego à estação Tribunal e continuo em frente. À procura de mais um restaurante, recuso aquele para o qual espreito e decido-me que entro no próximo Kebab que encontrar... tipicamente... turco! Olho para a direita e leio "Doner Kebab". Foi rápido. Como diria Basak, "conquering the world through Doner Kebabs". Espreito para ver se há alguma razão para o rejeitar e o facto da clientela ser praticamente toda da minha idade e nenhum ser turco dá-me alguma confiança adicional. Como, demorando-me tanto como deveria demorar, noto que o proprietário é afegão (não turco) e sigo ainda pela calle Fuencarral.
Chego à glorieta de Bilbao e lembro-me como fiquei excitado com a possibilidade de morar nesta praça quando vim ver a casa do 107. O prédio então, esse é lindo... mas ao entrar e apeceber-me que teria de partilhar a casa com a dona, avó, mais quatro pessoas (que nunca saberei quem são), um neto de quem a avó toma conta durante o dia e apenas uma casa de banho... rapidamente me escusei com "não ser bem o que eu estava à espera" e saí de lá rapidamente. Nada tira porém brilho à praça, especialmente hoje, que o sol brilhava, apesar do vento frio que irritava e obrigava a por as mãos nos bolsos.
Meto caminho pela calle Luchana e tenho tempo de entrar numa livraria onde a pessoa que atendia falava português com alguém. Não digo uma palavra e sigo pela rua, virando à esquerda na plaza Chamberi, apanhando assim a calle Santa Engrácia. Estou agora numa zona menos animada, provavelmente com muitos escritórios e que perde o movimento durante o fim de semana, um pouco como a zona onde moro em Lisboa. Já me estou a afastar do centro também. Nota-se bem a diferença. Vejo a igreja da estação Iglésia, passo por Rios Rosas, por onde procurei muitas casas e chego a Cuatro Caminos, onde começa a linha 2 e de onde provavelmente começarei o meu trajecto da próxima vez que repetir estas caminhadas.
A partir daqui falta apenas uma única rua. As próximas quatro estações de metro antes de chegar à Plaza Castilla, o meu destino final são todas na calle Bravo Murillo, enorme avenida que percorre a cidade de norte a sul partido do mesmo ponto que o Paseo de la Castellana, mas que a partir de Cuatro Caminos desce paralelamente a este. Assim, faltava seguir a calle Bravo Murillo no troço em que curva, desembocando na Plaza Castilla e no Paseo de la Castellana. Aqui volta a haver agitação, mas notamos que estamos já fora da das zonas nobres da cidade. O comércio mais popular, os prédios mais baixos, as ruas perpendiculares que acabam mesmo à frente em prédios velhos ou descampados, a menor imponência e cuidado com os edificios. Tristemente lembrou-me Lisboa e isto não é lisongeiro para a minha cidade.
Passo por Alvarado, Estrecho, Tetuán e Valdeacederas e por aqui vou distraído com pensamentos que não estão ligados ao que vejo, tal é o desinteresse desta zona. Pensando à posteriori, será provavelmente o mesmo que encontrarei quando decidir fazer o resto da linha um para sul de Atocha ou Atocha Renfe. Animado, mas não acrescenta muito à cidade. Mas pelo menos já sei o que aqui está.

Etiquetas:

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Barajas - T4

Inauguraram um novo terminal no aeroporto de Madrid. O famoso T4. Este terminal NAO tem acesso por metro. Seria de esperar que quando se sai do metro (perto dos outros 3 terminais), houvesse um sinal ENORME, ou alguns sinais medios, ou muitos sinais pequenos (ou todos estes) a dizer para onde e o terminal 4. Pois bem, saio descontraidamente na paragem do metro de Madrid e... vejo um sinal a dizer T1, outro a dizer T2 e outro a dizer T3. E T4? E O RAIO DA INDICACAO PARA O SITIO QUE ACABOU DE ABRIR E TEM A MAIOR PARTE DO TRAFEGO AEREO DESTE AEROPORTO E QUE NINGUEM AINDA SABE ONDE E PORQUE ACABOU DE ABRIR?!?!?!? Nem um sinalzinho...
Tive de ir perguntar a alguem. "O autocarro para o T4 apanha-se seguindo a direccao do T2...". Dirijo-me para o T2 e SO DEPOIS de comecar a fazer isso e que aparecem os primeiros sinais. E pensamos nos que certas coisas nao acontecem em paises desenvolvidos...

Etiquetas:

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Não chove?

Já estou em Madrid há 22 dias e apenas nevou uma noite. NUNCA choveu! Será normal? Estamos em Fevereiro!!!

Etiquetas:

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

El Rastro

A feira da ladra cá do sítio que acontece todos os domingos e que é usada pelos nativos como desculpa para copos chama-se "El Rastro" e espalha-se no triangunlo entre Embajadores, Puerta de Toledo e Tirso de Molina. É grande! Surpreendeu-me pela dimensão e diversidade da oferta, com algumas coisas realmente únicas. Mas no geral é uma "feira da ladra". É impossível obter comics que não sejam em espanhol. Maldita (editora) "Norma"...

Etiquetas:

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Neve

Ontem nevou em Madrid. Estava num restaurante a relaxar depois da mudança feita e comecei a ver que havia pequenos flocos de neve a cair. Quando fui para casa, estava na dúvida se ia pegar ou não. Se continuasse a noite toda assim, talvez. Hoje, quando acordei, dirigi-me para estação de Atocha para apanhar o comboio pela primeira vez em direcção ao trabalho. À frente de minha casa, não havia vestígios de neve no chão. Havia apenas em alguns carros um bocado de gelo fino em cima dos tejadilhos. Cheguei a Atocha e estava cheíssimo de gente. Quando estou a escrever, não sei se será o normal ou não, mas de facto, era apertado. Se vai ser assim todos os dias, não sei se poderei aproveitar a meia hora de caminho (pelo menos as primeiras partes) para ler e vou automaticamente transformar-me num daqueles drones que faz "commuting" para o trabalho, a dormir em pé e perdendo uma hora e meia por dia sem fazer nada de produtivo. Hoje, depois de Nuevos Ministérios (ainda em Madrid), consegui sentar-me. Quando finalmente vimos a luz do dia (entre Atocha e Chamartin, há duas estações subterrâneas - Recoletos e Nuevos Ministérios- e atravessa-se Madrid do Sul ao Norte debaixo do chão), em Chamartín, está tudo coberto de neve. Uns 3 a 5 cm, mas tudo coberto de neve. Pelos vistos há diferenças significativas de temperatura entre o Norte e o Sul de Madrid. Prefiro o Sul! Em todo o caso, o comboio atrasou-se uns 15 minutos fazendo com que eu chegasse atrasado ao meu primeiro dia de trabalho. Não muito grave, pensei eu, uma vez que preciso de me ambientar e tal, e de facto, sempre podia dizer que pensava que os comboios andavam a horas... e que tive de procurar o escritório, uma vez que nunca lá tinha ido. Resultado, chego às 9h10 ao trabalho e... sou o segundo a chegar! Ou seja, apenas uma pessoa tinha conseguido chegar a horas. E isto porquê? Por causa da neve! A mim não me parece que seja assim tanta, mas pelos vistos afecta mesmo a performance da malta por cá, porque estou a escrever isto às 10h40 e ainda só cá estamos 5.

Etiquetas:

terça-feira, janeiro 24, 2006

Madrid


Ocupada desde a pré-história, apenas a partir do século IX é que há vestígios de uma cidade neste local, fundada por um palácio mandado construir por Mehmed I. A cidadela foi conquistada aos mouros em 1085.
Apenas em 1561 as cortes foram mudadas para Madrid, desde Toledo e apenas durante um pequeno periodo (1601-1606) em que Filipe III (segundo de Portugal) mudou as cortes para Valladolid, esta cidade tem sido a capital de Espanha. Neste perido, a capital vivia exclusivamente da vida da corte.
Apenas durante o reinado de Carlos III, que findou em 1788, a cidade se tornou um local moderno. "O melhor alcaide, o rei".
Durante a guerra civil, Madrid teve a triste honra de se tornar a primeira cidade no mundo a sofrer bombardeamentos aéreos no mundo. Mais tarde, durante a ditadura franquista, tornou-se extremamente industrial.
3 155 000 habitantes na cidade, 5 600 000 se incluirmos os subúrbios, quase 90% são espanhois. É responsável por 17,7% do PIB espanhol em 2004. Tinha 127 salas de cinema em 2004.

É para aqui que eu vou morar nos próximos meses.

Etiquetas:

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Inbicta...

... a terra onde o risco contínuo é apenas um traço no chão!

Etiquetas: