Conversa, futebol, cinema, música, viagens, banda desenhada, culinária e as coisas estranhas que acontecem na minha vida.

terça-feira, outubro 24, 2006

The Black Dahlia


Excelente filme de Brian de Palma que retrata o assassinato de uma jovem aspirante a actriz na Hollywood dos anos 40. O filme é baseado tanto nos factos reais como na novela de James Elroy sobre o mesmo tema.
"Bucky" Bleichert (Josh Hartnett) e Leland Blanchard (actor da moda deste ano Aaron Eckhart) sao dois polícias que sao encarregados de resolver o assassinato da jovem actriz uma vez que sao os detectives-estrela da altura. Uma espécie de pseudo triângulo amoroso cria-se com a namorada de Leland, Kay (Scarlett Johansson), mas Bucky permanece fiel ao seu parceiro e rejeita os avanços de Kay. Durante a investigaçao, pela qual Leland se torna obcecado, Bucky envolve-se com Madeleine Linscott (Hillary Swank), que é suspeita no crime. Bucky oculta-a da investigaçao.
Pelo meio, ameaças do passado e outros crimes que envolvem os dois polícias acontecem e o desfecho é o esperado.
O filme está muito bem feito. De Palma homenageia o género de policial negro filmando-o muito realista e duro. Os planos e a fotografia sao excelentes e a próprio casting (com uma excepçao) está bem feito. Depois de Femme Fatal em 2002, que também parece ser um exercício de estilo sobre o género, tentando elevá-lo à perfeiçao, The Black Dahlia é-o para o policial. E os resultados sao muito bons.
De facto, apenas nao gostei de Josh Hartnett no principal papel. Confesso que a antipatia (completamente irracional, mas que diminuiu depois de ontem) que tenho pelo actor influencia o meu julgamento, porque ele está furos acima do que eu esperava, mas mesmo assim creio que outra escolha poderia ter levado o filme a níveis ainda mais elevados. Outro pormenor que nao gostei foi o da modernidade daqueles anos 40. Eram um "o que aconteceria se os anos 40 fossem agora". O que em termos de cenários e tecnologia (refiro-me concretamente à qualidade dos filmes que sao projectados dentro do filme) faz com que eles sejam demasiado sofisticados. Talvez tenha sido uma escolha consciente, mas quanto a mim diminui o resultado final.
No final, um belo filme para ser apreciado no seu máximo esplendor no cinema.
Nota final: *****

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segunda-feira, outubro 23, 2006

Los Borgia


Este filme é enorme, é chato, é um bocado feito à pressa, recorrendo a efeitos estilísticos de gosto discutível, com anacronismos demasiado óbvios e no geral uma grande desilusao.
Conta a história de Rodrigo Bórgia, cardeal eleito papa no século XIV (penso) e dos seus filhos (sim, filhos). Bom, o bom do Rodrigo, originário de Valência achou que chegando a papa (com o nome Alexandre VI) devia transformar o papado numa espécie de feudo pessoal. Ou seja, "tenho as costas quentes por Deus, vou conquistar aqui uns territórios vizinhos e transformar isto num reino e deixando isto aos meus filhos, numa dinastia". Esta é a história da sua ascençao, apogeu e queda.
A maneira como retratam as personagens também é feita de uma forma dúbia, com a Lucrécia Bórgia a parecer uma santinha irritante em vez do paradigma de deboche pelo qual era conhecida na época. Entretanto somos confrontados com o incompetente do Juan, o irmao mais velho, o adolescente incompreendido Jofré e o perigoso e implacável César, o verdadeiro "anti-herói" da história. Casamentos por conveniência, assassinatos, conquistas, traiçoes e até "des-desvirginizaçoes" por razoes políticas e de conquista de poder, acontecem neste filme que mais valia ser uma mini-série em um dois episódios para televisao. Participaçao especial da Paz Vega (a jeitosa de "Lúcia e o Sexo") que aparece em 3 cenas! Uuuuuhhh...
Nota final:**

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quarta-feira, outubro 18, 2006

Eu vs. Metro de Madrid - round 47

Parece que o metro de Madrid (tal como muitas outras coisas aqui na capital de Espanha) nao foi feito para funcionar com chuva. O pessoal anda a chorar que nao tem água (e de facto creio que em poucos anos aqui começarao a ser sentidos pela primeira vez em muito tempo na Europa ocidental os efeitos das alteraçoes climáticas), mas quando há, as coisas nao funcionam bem. Basta ver a renovada linha 3 (a que serve a minha casa), acabadinha de re-inaugurar (foi no dia 30 de Setembro, pelas 15h00), que ontem, no final de um dia de chuva, estava cheia de poças de água e infiltraçoes, arcaicamente remediadas com baldes (!) por baixo das goteiras. Lembra as melhores encenaçoes de desgraça de que me lembro. Mais um belo exemplo de engenharia espanhola e relembra que acabar obras à pressa nao é um fenómeno exclusivo do rectângulo à beira-mar plantado.
Ah, só para acrescentar, mas sem nada a ver com o metro de Madrid, ontem, dia de chuva, houve um engarrafamento de... 180 km(?!?!?!) Pelo menos era a manchete de hoje do diário gratuíto "Qué". O pessoal precisa da água, mas realmente dispensava era a chuva.

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quarta-feira, outubro 11, 2006

Bear ou Pear?

Bom, esta fez-me chorar a rir. Estava eu calmamente a surfar na net quando cheguei a uma página que me fez rir desalmadamente, como já nao acontecia há muito (ok, concedo que tenho um humor estranho). Li a suposta história da bandeira da Califórnia.
Parece que em 1846, um grupo de rebeldes quis demonstrar que eram independentes do México e para isso quiseram hastear uma bandeira que simbolizasse a sua separaçao como estado soberano (apesar de já a piscar o olho à anexaçao aos EUA). Para isso, tiveram de decidir rapidamente sobre que símbolos teria a bandeira e além disso, fabricá-la à pressa. Assim, sob pressao de um dos rebeldes mais influentes, o símbolo escolhido seria uma pêra representativa das férteis regioes agrícolas do norte do estado. O grupo definiu também as outras características da bandeira (a faixa e estrela vermelha) e enviaram-na a um tipo chamado William L. Todd (por coincidência sobrinho da mulher do presidente Abraham Licoln) para que desenhasse a pêra (pear) na bandeira e a devolvesse. Ora o problema é que ele em vez de ler pear, leu bear... Os rebeldes estavam com pressa e hastearam a bandeira de qualquer maneira. Pouco depois foram anexados aos EUA e a questao deixou de ter importância. Mas quando adoptaram legalmente uma bandeira, em 1911, voltaram à do urso, quando de facto deveria ter sido qualquer coisa comoo que aqui está.
Já agora, Dr. Bola, nao encontrei referências aos russos nos links que vi...

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terça-feira, outubro 10, 2006

Sítios onde vivi...



Faz hoje 11 anos que saí de casa dos meus pais. Por coincidência, faz hoje 14 anos que saí da casa onde cresci, na Damaia. Assim, fiquem todos sabendo que apenas vivi 3 anos certos na Beira, ao contrário do que alguns dos meus amigos pensam que eu SOU da Beira. Nao há mal nenhum em ser, mas eu efectivamente nao sou. Sou um suburbano, que é bem pior.
E apesar de já nao viver na Damaia há catorze anos, ainda é o sítio onde eu vivi mais tempo! 51,9% dos meus dias (se eu viver até dia 10 de Novembro, data em que regresso a Portugal e a referência para estas contas).
Outra curiosidade é que em termos de sítios onde eu vivi mais tempo seguido, a casa dos meus avós, onde eu vivi enquanto estava na universidade, ainda está em segundo... por 3 dias! Mas já foi ultrapassada no tempo total pela minha casa na zona da 5 de Outubro, onde eu já vivi por mais de um período.
E olhem que gráficos bonitos é que eu consigo fazer com a minha mania de decorar datas exactas...
Em todo o caso, parabéns a mim por 11 anos fora de debaixo da asa dos meus pais ("fora de debaixo"?) e fica a pergunta: para onde, depois de Madrid? 5 de Outubro mais um bocado, pelos vistos...

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sexta-feira, outubro 06, 2006

Prémios (Ig)Nobel

Ontem foram entregues os prémios (Ig)Nobel. Tal como o nome indica, sao prémios que misturam o ignóbil com o Nobel.
O link para a lista total de vencedores desde o início do prémio desde 1991 está aqui.
Este ano destaco o prémio (Ig)Nobel da Paz que foi para um senhor chamado Howard Stapleton de Merthyr Tydfil, Gales, por inventar um dispositivo que faz um barulho audível para adolescentes mas nao para adultos e as suas duas aplicaçoes práticas mais óbvias: um repelente de adolescentes e toques de telemóvel.
Destaco igualmente o prémio (Ig)Nobel da Medicina que foi para o senhor Francis M. Fesmire da Faculdade de Medicina da Universidade do Tennessee, pelo seu relatório médico sobre como se pode terminar soluços incuráveis através de uma "massagem anal digital"... Pessoalmente, prefiro suster a respiraçao ou beber um copo de água, mas pode ser que haja aqui potencial...

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Top + ou -


Vi ontem o top dos discos mais vendidos em Portugal. Uma boa razao para eu nao viver aí...
Recordo-o para a posteridade:

1. "Acústico", André Sardet
2. "Floribella", Flor
3. "Este É o Meu Mundo", Bebé Lilly
4. "From This Moment On", Diana Krall
5. "Cê", Caetano Veloso
6. "Mickael", Mickael Carreira
7. "Romantic Classics", Julio Iglesias
8. "Mi Sangre", Juanes
9. "Paulo Gonzo", Paulo Gonzo
10. "Uma Vida de Canções", Paco Bandeira

Perguntas:
WHO THE FUCK are André Sardet, Bebé Lily e Juanes?
O que raio é que um disco chamado Floribela está a fazer no 2º lugar?!
O Mickael Carreira é o filho perdido do Toni Carreira nascido da sua relaçao com uma corista ucraniana?!?!
Caetano Veloso, Julio Iglésias e Paco Bandeira sao os expoentes máximos das NOVAS sonoridades que atraem os portugueses (ou os mais novos descobriram apenas que sai mais barato fazer download da música e os mais velhos nao?)!?!?!?!!?

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quinta-feira, outubro 05, 2006

Remember, remember...

...the fifth of... Outubro?
Pois é, hoje é o dia da Implantaçao da República! Pela terceira vez passo-o fora de Portugal, sempre em países monárquicos. Julgo que é nestes que sinto com mais força a importância de sermos uma República e o facto de pelo menos nisto sermos mais evoluídos que estes. Nao é que a República por si mesma equivalente a um maior desenvolvimento. Na Europa, existem nos países mais ricos e desenvolvidos, mas eu justifico isso com dois factores:
1) As monarquias existentes nas actuais repúblicas eram fracas (ver Portugal, Grécia e Itália) ou inexistentes nos países tal como existem hoje (Rep. Checa, Hungria, Ucrânia, Polónia)
2) Factores históricos muito fortes alteraram as condiçoes de tal forma que se tornou impossível uma monarquia (França com a sua revoluçao do final do séc. XVIII e Alemanha e Austria com as guerras mundiais).
O que eu considero é que as actuais monarquias conseguiram ultrapassar um período de desenvolvimento superando os factores de convulsao a eles associados. E por isso apenas algumas o conseguiram.
No entanto, nao tenho dúvidas em afirmar que a República é uma evoluçao positiva relativamente ao arcaísmo da monarquia. E arcaísmo porque se baseia na governaçao através de um direito de sangue. Isto para mim é absolutamente inaceitável e basta ver que nos revoltamos quando alguém é favorecido "por ser daquela família" para ser compreensível que me enoje que algo assim esteja ractificado pela força da lei.
Aqui em Espanha, como de forma mais atenuada em Inglaterra (os dois países onde eu já vivi fora de Portugal), os direitos de sangue, o sustentar de uma família que nao foi sufragada por ninguém, cujo único mérito é ter tido uns antepassados (muito) remotos mais fortes, brutos e implacáveis que a maioria é visto com algum desdém e com um certo distânciamento e reprovaçao. E isso é algo que felizmente nao se passa em Portugal.
Obviamente isto é apenas o tocar ao de leve as minhas razoes para ser Republicano, mas no 5 de Outubro, digo com convicçao:
VIVA A REPÚBLICA PORTUGUESA.

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Nine Lives


Este filme escrito e realizado pelo filho de Gabriel García Marquez, retrata a vida de nove mulheres. As histórias cruzam-se brevemente, mas nao é esse o objectivo. Nove retratos de cerca de dez minutos da vida de cada uma delas.
Sandra está presa e quer ver a sua filha;
Diana revê o seu grande amor perdido;
Holly resolve os seus assuntos com o seu pai;
Samantha arbitra a relaçao entre os seus pais;
Lorna vai ao funeral da mulher do seu ex-marido;
Sonia visita a casa da sua amiga;
Ruth pondera a importância do seu marido;
Alma está nervosa antes de ter um peito extraído cirurgicamente.
Maggie visita um familiar no cemitério;
Todas estas histórias evocam sentimentos diferentes e deixam o público a pensar em como lidar com estas emoçoes e quais as verdadeiras consequências destas. Obviamente que o realizador nos expoe a situaçoes fortes e algumas algo exageradas. Mas está bem feito. De realçar a presença de vários actores bem conhecidos (alguns mais afastados de tudo o que eu tenho visto ultimamente) tanto de filmes como de séries de televisao e que foram surpresas agradáveis. De realçar TRÊS actores de Deadwood (Molly Parker, Ian McShane e Kim Dickens), a série que eu acompanhei melhor ultimamente.
No final, um dos bons filmes do ano!
Nota final:****

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Palindromes


Parece que esta semana foi a semana dos filmes de 2004. Palindromes, que já saiu há imenso tempo em Portugal, finalmente chegou a Espanha. Como eu nao o vi na altura, aproveitei para ver agora, sujeitando a Guida a uma seca impressionante.
Pois. Isto já dá para ter uma ideia de como foi o filme. Aviva é uma menina que tem um sonho. Ter muitos filhos! A coisa dá para o torto quando engravida pela primeira vez e os pais (hipócritas da pior espécie) nao gostam muito da situaçao e agem em conformidade, sujeitando a pobre adolescente a um bombardeamento psicológico até que esta acede em fazer um aborto.
Mais uma vez, as coisas nao correm muito bem e o resultado final é que Aviva foge de casa, encontrando abrigo numa família pro-life exageradamente caricaturada. No final, esta família é mais disfuncional do que aparenta e Aviva acaba envolvida no assassinato do médico que lhe fez o aborto.
Obviamente que é inescapável falar do facto de que em cada uma das cenas do filme, a personagem de Aviva é desempenhada por uma actriz diferente, o que confere alguma invulgaridade ao filme. Mas no geral, creio que este artifício nao consegue nada de especial, caindo o filme numa certa mediocridade quase "TVI 4 da manha".
Nota final: **

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Whisky


Filme uruguaio sobre dois irmaos judeus (Jacobo e Herman) com fabricas de meias. Jacobo acompanhou os dias finais da mae de ambos e Herman, que vive no Brasil, nao pôde, ou nao quis. Assim, o que ficou no Uruguai natal pede à sua empregada mais fiel que finja que é sua esposa, durante a visita do seu irmao. Nota-se um certo embaraço, ou complexo de inferioridade da parte de Jacobo, fruto de nao ter resultados tao bons no seu negócio. A empregada acede e montam uma farsa que Herman nao nota. A visita deste extende-se a um sitio que ambos visitavam enquanto pequenos e a relaçao entre os três estreita-se e as ambiguidades aumentam. No final, um acto de expiaçao por actos anteriores que nao era desejado. E consequência deste, um outro acto de distanciamento que tem resultados inesperadamente felizes. No final, Jacobo recompensa a sua empregada pelo que fez por ele. E os resultados sao os esperados por qualquer ser humano cínico.O filme tem é lento, às vezes aborrecido, mas bem filmado. A primeira parte que retrata a rotina monótona da fábrica é invulgarmente bem conseguida. O apartamento do irmao "uruguaio" é uma colecçao impressionante de quinquilharia que nos faz duvidar se foi um excelente trabalho de cenografia ou se apenas esvaziaram as casas das avós de todos os colaboradores do filme. Mas a humanidade do filme, a forma como retrata de forma real o comportamento de cada uma das personagens, o final (in)esperado, fazem deste um filme a (tentar) ver. Nota final: ***

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segunda-feira, outubro 02, 2006

Boa notícia?

Nada a ver com o outro post abaixo, mas porque o mundo é feito de altos e baixos... correm boatos (nao confirmados) de que a Miss Playboy Portugal é colega de universidade da minha irma... Eu afirmo: KARMA POSITIVO!!!!!

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Má notícia...

Li hoje num jornal desportivo que o antigo central do Estrela da Amadora, Chico Fonseca (que fazia parte da equipa que venceu a Taça de Portugal em 1990), faleceu num acidente de viaçao com 42 anos.
É lamentavel e fico triste por ver desaparecer alguém que ajudou a dar-me uma alegria e a engrandecer o meu clube.
Sinceramente, estou de luto.

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