Conversa, futebol, cinema, música, viagens, banda desenhada, culinária e as coisas estranhas que acontecem na minha vida.

domingo, março 21, 2010

Cinema este ano

Já vou com alguns filmes em atraso. Está na hora de actualizar o blog, apesar de não ter visto assim tantos como isso...

O ano começou com um clássico...
Morte a Venezia (1971)
A minha primeira incursão na cinemateca de Lausanne foi logo no primeiro ou segundo dia do ano. Baseado no romance de Thomas Mann, realizado por Luschino Visconti, conta a história de um compositor que está com problemas de saúde e vai descansar a Veneza. Mas quando se instala no hotel, há uma espécie de "Lolito" (na verdade Tadzio, filho de uns aristocratas polacos) com quem começa um flirt absolutamente proibido. Entretanto, boatos relativos a uma doença em Veneza começam a ser ouvidos, mas são abafados pelas autoridades...
O que é que eu posso dizer deste clássico? Fantástica fotografia, um argumento de qualidade e uma interpretação assustadoramente fantástica de Dick Bogarde. Não posso dar menos que isto na nota final:*****
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Shivers (1975)
A minha segunda incursão na cinemateca de Lausanne foi com boas intenções, mas não correu assim tão bem. Shivers, um filme de David Cronemberg do qual eu nunca tinha ouvido falar. Cronemberg é um dos meus realizadores favoritos, mas este filme realizado 11 anos antes de The Fly é, no máximo, uma fase de aprendizagem misturada com uma grande festa que alguém se deu ao trabalho de pagar... Portanto, numa espécie de condomínio fechado, é cometido um assassinato. Um médico investigador mata uma sua vizinha e depois suicida-se. As razões? Um parasita que torna o seu hospedeiro um maníaco sexual. Escusado será dizer que em breve todo o condomínio está contaminado e acaba tudo numa grande "festa na piscina"... No escape...
Bom, nota final: *
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Invictus (2009)
Eu adoro râguebi (ontem foi um dia muito triste, pois falhámos a qualificação para o mundial...)! E adoro cinema político. E adoro o Clint Eastwood. Tudo isto faz com que Invictus seja um filme que naturalmente me tenha atraído.
Morgan Freeman é Nelson Mandela e Matt Damon é François Piennar, o capitão da equipa da África do Sul que ganhou em casa o campeonato do mundo de 1995. O filme conta a história de como Nelson Mandela usou o râguebi para contribuir para a união do seu país no período pós-apartheid. Fantástico como Eastwood consegue transformar uma história deste género num filme coerente.
Nota final: ****
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Plus là pour personne (2009)
Quando fui ao cinema, queria era ver o mais recente dos irmãos Cohen (Serious Man). Mas quando lá cheguei, em vez do meu objectivo estava a ante-estreia de um filme suiço... Com direito à presença dos actores principais e do realizador. Por incompatibilidade de horários, eu e a minha companhia acabámos por decidir ver este filme de qualquer maneira. Má ideia... é uma tentativa fraquinha de fazer um daqueles filmes onde todas as histórias se cruzam (isto já tem um nome, não tem?). A única coisa que vale a pena é mesmo passar-se em Genebra. Nem sequer na Genebra dos turistas, mas nos subúrbios onde ninguém vai e que eu já reconheço em alguns pontos. Em duas frases, há um acidente de viação onde um tipo morre. As consequências emocionais da sua morte para os outros intervenientes são diversas.
Nota final: ** (uma das estrelas é apenas para apoiar o cinema suiço...)
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Shutter Island (2010)
O mais recente de Martin Scorcese conta a história de dois Marshalls que investigam o desaparecimento de uma prisioneira de um estabelecimento prisional para doentes mentais que está situado numa ilha. E não posso dizer muito mais sem estragar o filme. Uma interpretação decente de Leonardo Di Caprio, como de costume, mas devo dizer que esperava um bocadinho mais... Gostei da música, no entanto...
Nota final: ***
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The Ghost Writer (2010)
Roman Polanski acabou este filme desde a prisão. Pois é, you don't f**k with America. E mesmo que a miúda de 13 anos te tenha perdoado passado 30 anos, foi crime à mesma. O que dizer... Enfim, não interessa.
Um argumento muito interessante. Tony Blair... ah... perdão, Adam Lang é um ex-primeiro ministro britânico que escreveu uma autobiografia. Mas o seu escritor oficial morre em circunstâncias estranhas e é preciso encontrar um novo "escritor-fantasma" (sim, ou vocês pensam que foi o Cronaldo que escreveu todas as suas 43 auto-biografias?). É Ewan McGregor que toma este lugar (e sim, ele aparece nú, como em todos os seus filmes...) e aos poucos vai descobrindo mais coisas relativamente ao seu patrão, que entretanto está sob a ameaça de ser acusado de crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional.
Conclusão do filme, a Cherie Blair é uma agente da CIA. Ops, lá estou eu, a mulher de Adam Lang é uma agente da CIA...
Nota final: ****

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quinta-feira, dezembro 31, 2009

O último cinema de 2009

Avatar (2009)

O director da programação dos cinemas de umas poucas cidades suiças (apenas me lembro de Friburgo), a propósito de não haver disponibilidade deste filme em 3D em nenhuma destas cidades, afirmou que as inovações técnológicas que Avatar traz são apenas "distrações". Que o cinema não vai ser radicalmente alterado depois deste filme. Eu tendo a discordar. Com as devidas distâncias, esta afirmação para mim equivale a alguém ter dito em 1927: "Som? Com cinema? Para que é que isso serve? O cinema continuará igual depois deste The Jazz Singer".
Julgo que o paralelismo com The Jazz Singer também serve para explicar o seguinte: toda a gente se lembra deste filme por ter sido o primeiro onde se ouviu um actor falar, mas não propriamente pela qualidade intrínseca do filme (eu falo por ouvir dizer, nunca vi The Jazz Singer, mas sei que não é considerado da mesma forma que outros clássicos da época). Passa-se o mesmo em Avatar. Não é "Citizen Kane". Não é "Apocalypse Now". É, como dizia o 20 Minutes (o jornal gratuíto suiço), um filme de índios e cowboys.
Mas a grande razão pela qual eu me estou a estender tanto sobre este filme é concretamente a extraordinária (R)evolução técnica que Avatar traz. Não apenas pela 3D (que para mim foi o grande avanço técnico generalizado do ano), mas também pelo uso de novas tecnologias que permitem a transformação total dos actores por, literalmente, avatares dos mesmos.
Por último apenas sublinho a generalização da mensagem ecológica no mainstream de Hollywood. Não é o primeiro nem será o último filme a incutir esta mensagem no público. Vá lá, a haver propaganda no cinema, que haja deste tipo, não acham?
Nota final: *****
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Das Weisse Band (2009)

O vencedor da Palma de Ouro de Cannes deste ano é o mais recente filme de Michael Haneke, depois de Funny Games U.S., a sua incursão por Hollywood.
Conta a história de uma onda de crimes que ocorrem numa aldeia do norte da Alemanha imediatamente antes do início da primeira guerra mundial. Quem está por trás de tais crimes? E quais as consequências desses crimes?
O filme dá uma ideia da sociedade opressora do início do século XX na Alemanha, o que poderá ajudar a explicar alguma da mentalidade que afectou este país durante todo o século passado.
Sem dúvida um filme a não perder. Nota Final: ****
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Sin Nombre (2009)

Já costuma ser costume filmes ultra-violentos aparecerem do lado sul da fronteira. Talvez seja revelador da realidade ultra-violenta do México, mas talvez também seja um pouco de capitalizar os medos dos civilizados americanos.
Sin Nombre conta a história de uma emigrante Salvadorenha que tem de atravessar o México para chegar aos Estados Unidos, onde o seu pai mora e para onde a quer levar.
Pelo caminho cruza-se com os elementos de um gang "de implantação nacional". Um deles trai o grupo e por causa disso, passa a ser procurado pelos seus ex-camaradas. De forma bastante idiota, a menina decide juntar-se a este "cabra marcado para morrer". E o filme trata da viagem deles através do México até à fronteira com os States.
Imaginando que se trata de um retrato fiel, é um filme duríssimo e violento. As interpretações são competentes e se houve algum esforço para a cenografia, está excelente (acho que pura e simplesmente usaram o que estava à mão, o que resultou plenamente).
Nota Final: ***
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2012 (2009)

Um típico disaster movie. Desta vez, tenta ser mais ambicioso do que o normal. Ou seja, não é apenas um edifício, um barco, uma cidade ou uma região... é o planeta todo que vai para o caraças.
De acordo com a história, uns cientistas bem inteligentes descobrem que o núcleo do planeta está a ficar instável e por causa disto, a crosta terrestre se vai separar dele (do núcleo).
A partir daí, todos os governantes da humanidade se unem num único objectivo: salvar os ricos do planeta. Qual é o plano? Fazer umas arcas gigantes onde o pessoal pode esperar que a tempestade passe. Tipo Noé. Uma abordagem bastante típica. Se já resultou antes também resulta agora.
Relativamente ao filme, o costume: argumento descerebrado, efeitos especiais impressionantes, elenco razoável a bom (tendo em conta o material).
Nota final: ***

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segunda-feira, dezembro 07, 2009

A Christmas Carol (2009)

Outro filme "excelente" que fui ver recentemente, foi este que também fui ver por ser em 3D. Ok, acho que estou um bocado obcecado com isto e daqui a uns tempos vou deixar de ir ver tudo e mais alguma coisa só porque está em 3D, mas até lá... cá vou eu.
Pronto, este adapta o clássico de Charles Dickens que todos já vimos em tudo o que é série americana de televisão.
MAS EM 3D!!!!
As personagens de Jim Carrey são também um bom chamariz para o filme. Muitas vezes pode escolher mal os seus filmes, mas acho-o um bom actor. E neste(s) papel(eis), ele estava claramente à vontade.
Portanto nem foi assim tão mal passado.
Nota final: ***

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Zombieland (2009)

Ok, este filme é perfeitamente idiota. Mas é feito exactamente para isso.
Portanto, como em qualquer filme apocalíptico que se preze, os zombies tomaram conta do planeta. Mas sobraram alguns humanos que desenvolveram as suas técnicas para sobreviver.
Este filme conta a história de um grupo destes sobreviventes e a sua demanda por chegar a... um parque de diversões?
Enfim, absolutamente ridículo, mas com excelentes efeitos especiais e gore de acordo com as encomendas.
Nota final: ***

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The Final Destination (2009)

Sim, The Final Destination.
Morte, premonição, etc, etc. Ok, o conteúdo deste filme é totalmente irrelevante. O que interessa é que o fui ver em TRÊS DIMENSÕES.
E aquilo que eu posso dizer é que quero JÁ, TUDO em 3D!
Nota final (do filme: *) das 3D: *****

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sexta-feira, outubro 23, 2009

(500) Days of Summer (2009)

Uma comédia romântica simpática com Joseph Gordon-Levitt (que nos habituámos a ver como o mais velho dos extra-terrestres no corpo de uma criança em "3rd Rock from the Sun") e Zooey Deschannel (que nos habituámos a ver em todo o lado ultimamente - ok, eu vi-a em Weeds, The Happening e Yes Man...).
Conta a história de Tom, que conhece Summer e durante 500 dias, a paixão por ela domina a sua vida, com os altos e baixos normais.
Mas Summer sempre lhe disse que não se queria envolver numa relação... ou será que não se queria envolver numa relação com Tom?
Divertida e triste, filmada de forma não linear, mas sempre fazendo sentido, acabou por ser um daqueles filmes de sábado à tarde que valeu a pena ver.
Nota Final: ***

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Inglourious Basterds (2009)

Mais um do Tarantino. O último antes deste (Death Proof) foi uma terrível decepção.
Este... mais ou menos. Conta a história de um bando de judeus que tem como missão matar nazis atrás das linhas do inimigo.
Violência gratuita, um pouco lento demais e um final "em grande", mas que faz com que este filme não seja mais do que uma comédia negra.
Tarantino longe dos seus tempos áureos em que os seus filmes eram homenagens a um tipo de cinema. Agora é uma comédia de si mesmo e cada vez mais um cinema feito para o seu nicho de mercado do qual me afasto cada vez mais.
Boas interpretações e algum cuidado com o desenvolvimento das personagens fazem a Nota Final: ***

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domingo, setembro 06, 2009

Les Arbitres (2009)

Este filme é patrocinado... pelos meus patrões.
Em todo o caso, como também vi o filme no auditório da organização, é justo dizer que estão empenhados na sua promoção.
O filme relata as actividades de alguns árbitros durante o Euro 2008 e quais os problemas com que se deparam. Curiosamente, o árbitro que ontem nos roubou um penalty na Dinamarca está entre estes e uma das suas frases no filme, para o Katsouranis no jogo contra a Suécia é: "We are not gods. We also make mistakes."
Depois falam das ameaças (reais) ao Howard Webb (que recentemente perdoou um penalty ao Sporting em Florença) devido ao penalty que assinalou contra a Polónia no último minuto do jogo contra a Austria.
Enfim, um filme onde vemos o outro lado de ser árbitro, as pressões e aspirações dos homens do apito e onde podemos ganhar alguma simpatia sobre o seu trabalho.
Obviamente não apareceu nenhum árbitro português. Porque não acredito que algum seja realmente isento, quando apita o jogo entre um clube grande e um pequeno. Tendem sempre para quem lhes pode dar fruta, café com leite, férias no Brasil ou quem tenha influência nas promoções a arbitro internacional...
Mas o filme foi divertido. Nota Final: ****

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domingo, agosto 23, 2009

Whatever Works (2009)

O novo filme de Woody Allen é muito divertido. Eu sou fã incondicional de Allen e desde há uns anos para cá que raramente falho um filme dele no cinema. Mas tem dias (ou anos, já que ele produz mais ou menos um filme por ano). Este é um ano bom.
Boris Yellnikoff é um físico reformado que quase ganhou o Nobel da Física. Ou seja, é um génio. Mas é um génio hipocondríaco e fatalista. Um dia, completamente contra a sua vontade, acolhe em sua casa uma miúda fugida de casa, de um estado daqueles bem recônditos do EUA (possivelmente o Alabama, ou algo assim). Melodi St. Ann Celestine é o seu nome.
Ao longo do tempo, o génio Boris acaba por se afeiçoar a Melodi e acabam por se casar. Mas entretanto a mãe de Melodi acaba por encontrá-la. E não reage muito bem à relação dos dois.
O filme conta uma sucessão de situações hilariantes, Allen joga muito bem com alguns estereótipos de forma muito leve, mas eficiente e a personagem de Boris, é sem dúvida, uma das minhas personagens preferidas de sempre do cinema!
Um pragmático.
Resumindo, um óptimo filme, como sempre, à volta de relações e da maneira como pessoas mais ou menos normais lidam com outras. Nota final: *****

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Brüno

Chamo a isto a terceira parte de uma trilogia que Sacha Baron Cohen começou com Ali G, extrapolou com Borat e hiperbolizou com este novo filme? Não sei se deva. Mas apenas porque Ali G era de uma natureza diferente. Borat e Brüno são personagens parecidas que exploram os mesmos constrangimentos que todos sentimos quando confrontados com alguém que rompe com o estabelecido.
E é isso que Brüno faz. E de que maneira.
Portanto, Brüno, crítico de moda bastante homossexual, decide que quer tornar-se o austríaco mais famoso desde Adolfo Hitler. Lindo.
Para isso, vai para a América e faz o seu melhor (ou pior). É hora e meia de situações inconcebíveis, de um descaramento quase admirável, de tapar a cara de incredulidade pelo que se passa no grande ecrã.
Eu gostei. Nota final: ****

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terça-feira, julho 21, 2009

Los Abrazos Rotos (2009)

Após uma grande ausência das salas de cinema, entrei pela primeira vez numa sala desde que vim viver para Lausana. A peculiaridade desta sala de cinema é que vendem cerveja. Porreiro. É impressão minha ou NÃO costumam vender cerveja no cinema? Seja.
Portanto Los Abrazos Rotos. É o novo do Almodóvar. Ver um filme do Almodovar, para mim é como ver um filme do David Cronemberg, do Lars Von Trier ou do Woody Allen. Vou sempre com uma idea pre-concebida do que vou encontrar. Algumas vezes engano-me, quando decidem experimentar algo novo, ou quando o filme é genuinamente cinco estrelas. Mas desta vez, não. Fui ver um filme do Almodóvar, e saí da sala (sem beber cerveja), tendo visto um típico filme do Almodóvar. Madrid, Penélope Cruz (sempre bem-vinda), vidas fora do normal. Desta vez, um elogio ao cinema. Faz bem de vez em quando lembrarmos o resto do mundo de que adoramos a nossa profissão. E acho que foi um pouco disso que o Almodóvar nos dá neste filme.
Mateo Blanco (aka Harry Caine) é um realizador de cinema cego. Um dia, vem a saber que Ernesto Martel, um poderoso empresário (soa meio a telenovela, não soa?) morreu. No mesmo dia, Ray X, um realizador em ascensão contacta-o com o intúito de obter a sua colaboração num filme autobiográfico. Harry rapidamente compreende que Ray X é o filho de Ernesto Martel e relembra a sua própria relação com o empresário recém falecido. E a história envolve Lena (a personagem de Penélope Cruz).
Digamos que não é uma história linda.
No fim das contas, um mau Almodóvar é melhor do que a maioria das coisas que vemos numa sala de cinema. E este nem era mau de todo. Apenas não surpreendeu muito.
Nota final: ***

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quinta-feira, março 12, 2009

The Curious Case of Benjamin Button (2008)

Que filme deprimente! Estava muito curioso com o que seria, depois de todo o "hype" à sua volta.
Acho que toda a gente sabe que se trata de um filme onde um desafortunado (ou não) Brad Pitt nasce velho e rejuvenesce à medida que o tempo passa. A sua amiga de "infância"/velhice (quando ele tinha nascido há pouco tempo) acompanha-o a espaços na sua vida e o filme conta como foi a sua vida.
E eu posso dizer o seguinte: FOI TRISTE! FOI DEPRIMENTE! Começou mal, acabou mal!
Boa actuação do Pitt e da Blanchett e um bom filme, mas realmente, é de querer cortar os pulsos...
Nota final: ****

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Watchmen (2009)

O que dizer sobre este filme? Que me lembro de ficar excitado com a ideia de que alguém o queria fazer? Que me lembro de viver na Damaia e de ler um artigo onde o Arnold Schwarzenegger
estava "intrigado" com a possibilidade de rapar todos os pelos e ser pintado de azul? Que vi todos os filmes baseados em histórias do Alan Moore (Zeus, até "Swamp Thing" com a Heather Locklear)? Que DEVOREI a mini-série numa até à altura inédita maratona de 3 ou 4 horas seguidas para saber quem tinha matado o Comediante? Que a personagem com quem me identifiquei quando li o livro foi o Ozimandias e que queria, como ele, salvar o mundo?
Enfim, um sem número de coisas que quando agora, uns 17 ou 18 anos depois de ter lido a banda desenhada pela primeira vez, me trazem tremendas lembranças.
Para resumir: estamos em 1985. Os super-heróis estão proibidos desde 1977. Apenas alguns continuam em actividade ou clandestinamente, como Rorschach ou ao serviço do Governo, como o Comediante ou o Doutor Manhattan. O Comediante é assassinado. Quem é que o matou e porquê? A resposta a essa pergunta leva Rorschach a tentar contactar os seus ex-parceiros, na sua maioria, agora reformados. Mas alguém quer todos os super-heróis fora do seu caminho...
Filmado com actores de segunda linha, o filme é lento, mas fidelíssimo ao argumento original tirando uma pequena mudança no final (que quanto a mim resulta de forma excelente - chego até a pensar que se trata de um final melhor do que o do comic). É esplendoroso em termos visuais e, tal como o comic, muda completamente como vemos os super-heróis no cinema actualmente. Como pensou o Alan Moore sobre o comic, porque não fazer um comic de super-heróis onde eles se portem como adultos normais?
Enfim, adorei o filme, por tudo o que o comic me diz, pelas lembranças que me trouxe, pelo bem que está feito, por fazer jus ao comic.
Nota final: *****

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Doubt (2008)


Filme sobre um colégio católico na América dos anos 60. Um padre (Philip Seymour Hoffman supostamente abusou de um aluno negro (o primeiro do colégio). Uma freira (Meryl Streep) suspeita, mas não tem como provar. Mas basta-lhe a dúvida para actuar, segundo ela, nos melhores interesses do aluno.
Não sendo o meu género de filme, consigo achá-lo interessante, apesar de meio parado. Claro que são boas interpretações, mas achei-o meio "caça Óscares". Acho que acabou por não resultar.
Nota final: ***

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sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Son of Rambow (2007)

Nascido no seio de uma família bastante conservadora e religiosa, Will Proudfoot não tem acesso ao mesmo tipo de diversão que outros miúdos da sua idade. Assim, e para escapar à solidão e ao ambiente limitador que o rodeia, Will desenvolve uma imaginação bastante fértil.
Um dia, enquanto espera que um filme didáctico termine na sua turma (uma vez que não está autorizado a ver televisão), encontra-se no corredor com Lee Carter, um rufião que se aproveita da ingenuidade de Will.
No entanto o contacto com Lee vai trazer a Will a possibilidade de expandir os seus horizontes, nomeadamente com uma acidental visualização do primeiro filme do Rambo.
Lee consegue então convencer Will a participar no seu filme, improvisado com uma câmara de filmar do irmão mais velho de Lee. Com os inputs creativos de Will, o projecto torna-se um sucesso na escola e o improvável par Will e Lee tornam-se bastante populares. Mas tudo tem um preço.
Este é um filme que entretem, bastante divertido e com um argumento muito original. No entanto, apesar da ideia, a concretização não é tão eficiente como o argumento merecia. Nota de destaque para o desempenho dos dois actores principais, muito bem conseguida.
Nota final: ***

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sexta-feira, janeiro 30, 2009

Valkyrie (2008)

Este filme conta a história da última conspiração (segundo o filme houve várias) contra o regime de Adolfo Hitler na Alemanha da 2a Guerra Mundial. Nela, o coronel Claus von Stauffenberg (representado por Tom Cruise) organiza um atentado bombista com o objectivo de matar Hitler e dá ordens para que o exército na reserva tome conta de Berlim com o pretexto de um suposto golpe de estado pelas SS.
Como todos sabemos, o golpe não resultou, mas segundo percebi ao ler um pouco sobre esta história real, é bastante fiel na forma como apresenta as razões para o fracasso do golpe. Na prática, este golpe esteve bastante perto de resultar apesar de Hitler não ter morrido no atentado bombista.
Sinceramente gostei. O Cruise até é bom actor e o a forma como está filmado pelo Bryan Singer, o ritmo do filme, a divisão entre a preparação, a execução e o fracasso do golpe, bem como a apresentação de um elenco de conspiradores tão grande é conseguida de forma muito eficiente.
Desta forma, são duas horas muito bem passadas. Nota final: ****
PS: Ao ler sobre o filme percebi que foi muito controverso na Alemanha... por causa do actor principal. Ao que parece o Tom Cruise não é muito apreciado na Alemanha porque a sua religião é a Cientologia, que é considerada como um... "culto perigoso". Interessante.

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domingo, janeiro 18, 2009

Cinema recente

Slumdog Millionaire (2008)
Uma bela surpresa. De Danny Boyle, o mesmo realizador de Trainspotting, The Beach (ok, não pode acertar sempre, eheheh), 28 Days Later, o engraçado Millions e o espectacular Sunshine, mais um excelente filme.
Este filme conta a história de Jamal Malik, um distribuidor de chá num call center, que teve uma infância muito difícil. Mas estava escrito que ele e o seu amor de sempre, Latika, ficariam juntos. Tal como talvez esteja escrito que ele deverá ganhar o "Quem quer ser milionário" indiano. Mas como é que ele, um rapaz que não é instruído consegue chegar à última pergunta em condições de ganhar? Pois é a forma como ele consegue as respostas que o filme retrata.
Imagino que o filme possa não ser muito popular na India, pois mostra algumas imagens que não são o típico "Bolliwood". Mas em todo o caso é uma história bem imaginada, bem filmada e até com bons actores (e a actriz, a lindíssima Freida Pinto). Sem dúvida são duas horas bem passadas.
Nota final:
A) Quatro Estrelas
B) 4*
C) ****
D Todas as anteriores
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The Spirit (2008)
Pois é, grandes expectativas... defraudadas. Na linha de Sim City e de 300, as suas outras grandes obras adaptadas ao cinema, Frank Miller desta vez pega numa personagem que não é a sua, mas não consegue transmitir a mensagem.
Talvez tenha sido do actor, Gabriel Macht, que para mim, não consegue transmitir uma persongem com que consigamos simpatizar. Sinceramente, durante parte do filme estava a torcer para que ele levasse uma carga de porrada. Também poderá ter sido pelo facto de que ele contracena com actrizes LINDAS, o que me deixa um bocado com inveja.
De facto, o elenco feminino deste filme inclui Jaime King, Eva Mendez, Scarlett Johansson, Paz Vega, Stana Katic (a investigar posteriormente) e Sarah Paulson.
The Spirit luta no filme contra "The Octopus", um extravagante Samuel L. Jackson, que pretende obter o sangue de Hércules. Para tal, terá de fazer uma troca com Sand Saref (Eva Mendez). Visualmente muito rico, tanto o argumento como a execução deixam espaço de manobra para Frank Miller melhorar os seus dotes.
Pelo visual, a nota final é: ***
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Gomorra (2008)
Vi este filme o ano passado, mas já depois de ter escrito o post dos prémios do ano. Senão talvez tivesse nomeado este filme. É um filme que fez com que o seu realizador, Matteo Garrone, fosse ameaçado de morte e abandonasse Itália. Foi filmado com recurso a actores amadores (um dos quais foi recentemente "apanhado" num caso relacionado precisamente com máfia).
O filme conta cinco histórias que se interligam de forma e que retratam a forma como é a vida no sul de Itália actualmente. É um filme cru, filmado de uma forma muito realista e violenta, onde todas as expectativas são concretizadas, por norma da forma mais violenta possível.
Sem dúvida a não perder, embora não seja para as pessoas mais sensíveis.
Nota final: ****

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segunda-feira, dezembro 15, 2008

Burn After Reading (2008)

Estava com enormes espectativas relativamente ao novo filme dos irmãos Cohen. São por norma autores de filmes com argumentos imaginativos e em termos de capacidade de realização, conseguem trazer coisas novas ao cinema.
Pois bem, desengane-se quem for ver este filme. Já o vimos antes. Ok, tem situações divertidas, tem um elenco muito bom, goza com a Inteligência (?) americana (e não só)... mas é cheio de clichês, atrás de clichês, atrás de clichês. Até quando uma das personagens principais do filme "tem um acidente" que acaba por mudar o tom do filme, acaba por ser uma coisa que já vimos antes.
Assim resumido: John Malkovich é despedido da CIA. A sua cabríssima esposa (Tilda Swinton) quer o divórcio. Para tal reune informação sobre o marido, incluíndo alguma informação que ele recolhera ao serviço da CIA. Essa informação chega às mãos de Brad Pitt e de Frances McDormand (que quer dinheiro para uma operação plástica). No meio, George Clooney dorme com todas as actrizes do filme.
No fim, todos estão paranóicos com a possibilidade de estarem a ser espiados por outros. E não acaba bem.
Uma desilusão, devido às espectativas elevadas, mas vale a pena ir ver se não houver mais nada em cartaz.
Nota final:***

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Where in the World is Osama Bib Laden (2008)

Que porcaria foi esta? Do realizador do documentário (que eu tinha achado interessante) "Supersize me" (onde passou um mês a alimentar-se exclusivamente com comida comprada nos restaurantes McDonalds), o novo filme de Morgan Spurlock é... simplesmente TERRÍVEL!
A "história" é simples: Spurlock, assustado com a perspectiva de vir a ser pai, pensa que o mundo é demasiado perigoso para dar vida a uma criancinha. Há tanta coisa má por aí... e o mais perigoso de todos é o Osama Bin Laden. Mas se ele é o mais perigoso, onde é que ele está? E Spurlock dedica-se a tentar encontrá-lo através do mundo.
Mas o filme é claramente feito para um público americano. Contenta-se com truques do género "os muçulmanos também gostam das suas crianças. Eles também são humanos..."
Na prática, o que Spurlock quer é livrar-se de acompanhar a sua dama durante a gravidez do seu primeiro filho. Deve dar demasiado trabalho.
A sério, se o inferno está cheio de boas intenções, então este filme vai direitinho para lá!
Nota final: *

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quarta-feira, novembro 26, 2008

Cinema em Novembro

Quantum of Solace (2008)
O novo 007 é um pouco sui generis. Tanto quanto sei, é a primeira vez que se trata de uma continuação do filme anterior.
Amargurado pela morte da sua anterior Bond Girl, Vesper, Bond persegue os responsáveis. E ao fazê-lo, apercebe-se que há uma organização com um nome estúpido (Quantum) que tem agentes infiltrados em todo o lado. Agora há que descobri-los. Só que ele tem um certo problema... não consegue seguir o rasto dos bandidos sem matar toda a gente que lhe aparece pela frente.
A gerência não gosta e começa a persegui-lo. Mas no final tudo se explica por um zelo e determinação acima do normal.
De notar a mensagem ecologista do filme. Já começa a ser moda. Ainda bem, podia ser pior.
No final, a bond girl boliviana (representada por uma russa???) não morre nem cai na cama do Bond mais louro de sempre.
Um filme de acção decente.
Nota final:***
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Témoin Indesirable (2008)
No mundo real... temos um documentário que fui ver no âmbito do festival de cinema latino-americano de Genebra e arredores.
É sobre um reporter colombiano, Holden Morris, que tem um programa (o único, financiado por estrangeiros) na televisão colombiana que pretende retratar o conflito armado, verdadeira guerra civil que existe entre as guerrilhas comunistas (FARC), os grupos paramilitares (de extrema direita) e o exército (que supostamente luta contra ambos - mas não esquecer que metade ou mais do governo, incluindo o presidente, é suspeito de ter ligações aos grupos paramilitares). No meio, os traficantes de droga, os camponeses que cultivam cocaína e a total indiferença da população que vive nas cidades.
Algumas pessoas na Colombia não gostam do trabalho de Holden Morris e este filme retrata o seu dia a dia.
Interessante quanto ao conteúdo, algo parcial quanto ao objecto em estudo, a nota final é: ***

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